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Thursday, May 23, 2013


CNI projeta sua visão para a economia brasileira e estratégia até 2022

Thursday, March 28, 2013

MÁS PURO VERSO


Foco
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/turismo/100820-foco.shtml

Livraria é tesouro histórico no centro de Montevidéu

RODOLFO LUCENAEM MONTEVIDÉU
Ela pode não estar entre os dez mais aclamados pontos turísticos de Montevidéu, mas é um pouso seguro e acolhedor para quem gosta de livros, comida e arquitetura.

No primeiro quarteirão da rua Sarandi, restrita a pedestres, com sua entrada às vezes escondida por artesãos e artistas de rua, a livraria Más Puro Verso propicia horas de tranquilidade para o turista cansado de bater pernas pela capital uruguaia.

Sua principal atração é o prédio em que está instalada: o edifício Pablo Ferrando, tombado pelo patrimônio histórico, é um belo exemplar do estilo art nouveau.

Projetado pelo arquiteto italiano Leopoldo Tosi, foi aberto em 1917 para servir de sede à loja de artigos ópticos e equipamentos médicos de precisão Pablo Ferrando.

Em 1999, a loja fechou as portas, e o edifício ficou abandonado. Restaurado, desde 2008 passou a abrigar a Más Puro Verso no térreo e mezanino (ou primeiro andar) e escritórios diversos nos outros quatro pisos.

"Foi tudo preservado: as madeiras, as ferragens, até o piso", diz Fernando Medina, 30, encarregado da loja.

MONUMENTALIDADE

O que mais impressiona, porém, são as monumentais escadarias de mármore que levam ao mezanino: um primeiro lance solitário é encimado por gigantesco vitral. Depois, a escada se divide, e o visitante escolhe subir pela direita ou pela esquerda.

Terá acesso a mais prateleiras de livros, muitos deles importados. Apesar de ser uma casa generalista, oferecendo os best-sellers de plantão, a Puro Verso se orgulha de sua vertente humanista e oferece livros de política, sociologia e poesia de coleções espanholas como Anthropos e Hiperión.

O visitante poderá ainda desfrutar do simpático café PV Lounge, que ocupa a maior parte do piso. E que não se engane pela simplicidade das instalações: a comida é boa e os preços não assustam.

O prato de "raviolones" com presunto cru e aspargos é uma das boas pedidas.

OUTRAS LIVRARIAS

Se ainda não estiver cansado de mergulhar entre livros, a região tem pelo menos mais duas boas alternativas.

Na rua Bacacay, também exclusiva para pedestres, está a pequeníssima La Lupa (www.lalupalibros.com.uy).

O desavisado, aliás, talvez precisasse de lente de aumento para não perder a entrada da loja, que tem míseros quatro metros de frente.

Nas minguadas instalações, porém, há uma boa seleção de livros de história e política, além de uma seção para crianças e de um mesão com ofertas de livros de arte. O visitante ainda ganha um cafezinho feito na hora.

Outra livraria que vale a visita não tem nada desse charme, espírito jovem ou modernoso -nem sequer site.

Encravada em uma travessa da Sarandi, a El Aleph é um sebo sujo, com livros atirados uns sobre os outros. Mas é uma delícia.


MÁS PURO VERSO
SITE libreriapuroverso.com
ONDE Peatonal Sarandí, 675, tel. 00/xx/598-2915 2589.
FUNCIONAMENTO Seg. a sex., das 10h às 20h; sáb., das 10h às 18h

Friday, November 30, 2012

Um Luna na nobreza íbero-siciliana no Séc. XV

Luna, Antonio De, Conte Di Caltabellotta

Dizionario Biografico degli Italiani

LUNA, Antonio de, conte di Caltabellotta. - Nacque da Artale e Margherita Peralta, il cui matrimonio, stipulato nel 1404, si inseriva nelle strategie politiche e di controllo territoriale della restaurata monarchia siciliana.Margherita era figlia di Niccolò Peralta, quarto conte di Caltabellotta, morto nel 1398 senza discendenza maschile

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Tuesday, November 13, 2012

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Saturday, November 03, 2012

DICAS PARA CONHECER MONTEVIDÉU, NO LADO ORIENTAL DO PRATA







Reuni aqui experiências, nos dois últimos anos, colhidas em três visitas curtas a essa cidade encantadora, sede do Parlamento do Mercosul - Parlasur, capital do país que um dia já foi conhecido como a Suíça da América do Sul.

Chega-se vindo do Brasil a Montevideo (Montevidéu, escrito em brazuka ... ) por terra, mar e ar (carro e ônibus, cruzeiros marítimos partindo ou de Santos, de Itajaí, ou de Buenos Aires, e por avião).  Ali é porto fluvial às margens do Río de la Plata em sua  foz gigantesca (de Montevideo não se vê a outra margem do rio, no lado argentino). Há uma ligação fluvial diária com Buenos Aires, por meio da empresa argentina Buquebus, sendo possível embarcar em MVD (Montevideo) ou em Colonia del Sacramento (cerca de 170 km de Montevideo), cuja visita remete aos tempos da Província Cisplatina, D. João VI (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cisplatina_(prov%C3%ADncia), e lembra Ouro Preto, com ruas calçadas por pé-de-moleque, casas térreas coloniais.

Desembarcando no Aeroporto Internacional de Carrasco (nome do bairro onde se localiza o aeroporto)( http://www.projetolatinoamerica.com.br/aeroporto-internacional-de-carrasco-montevideo/), cujo nome oficial é Aeroporto General Cesáreo L. Berisso e dista 18 km de Montevideo, talvez valha a pena alugar um carro para maior facilidade de locomoção pela cidade e seus arredores. O único problema será estacionar nos locais mais movimentados e turísticos (Casco Viejo, Mercado del Puerto, Avenida 18 de Julio). Para estacionar deve-se comprar um tíquete em bancas de jornais e revistas ou usar estacionamentos particulares pagos. A multa chega a uns US$50,00 por estacionar sem o cartão. Ou então estacionar longe onde não haja placas de estacionamento pago à prefeitura, mas aí se cai nas mãos dos cuidacoches (http://www.elpais.com.uy/121017/pciuda-670146/ciudades/ley-nacional-podria-poner-freno-a-la-actividad-de-los-limpiavidrios-/).

Após passar pelo aparelho de  raios-X da Alfândega, logo à frente estão os boxes das locadoras de veículos.  Para quem sai do aeroporto, até Pocitos, Punta Carretas e depois daí até o Mercado del Puerto, é um estirão de carro, praticamente em linha reta. É recomendável fazer a reserva com antecedência pela Internet.  São muitas opções e ali se encontram as principais locadoras.  Há também outras menores e locais, sem dispor de stands no Aeroporto (ver, por exemplo, http://www.pradorentacar.com.uy/index.php). 

Guglar “alquiller de coches en Montevideo” ou “alquiller de carros en Montevideo“ para ver as opções.  Não se esquecer de alugar carro com GPS (paga-se um acréscimo), que é bem útil, por exemplo, para ir até a Bodega Bouzas, nos arredores da cidade, Canelones, a maior região produtora de vinhos do Uruguai, ou a algum dos locais aqui mencionados.

Montevideo é cidade pequena e bem servida de transportes coletivos,  dizem, e que também é barato (preços da passagem individual no site oficial do governo local: http://www.montevideo.gub.uy/ciudadania/stm-transporte-metropolitano/tarifas/tarifas-del-transporte-colectivo-urbano). A tarifa normal em trajeto limitado a uma hora, custa R$2,00 (dois reais), ao câmbio oficial recente (R$1/UY 9,80 – outubro2012).

1) Algo que se deve conhecer é o Casco Viejo, que se inicia no portão que sobrou da fortificação da cidade denominado Puerta dela Ciudadela (http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.uruguayinmuebles.com.uy/system/application/images/montevideo-10.jpg&imgrefurl=http://www.uruguayinmuebles.com.uy/postales-y-fotos-de-uruguay/&h=768&w=1024&sz=419&tbnid=9nDUC6yd-xR08M:&tbnh=92&tbnw=123&prev=/search%3Fq%3Dciudadela%2Bmontevideo%2Buruguay%26tbm%3Disch%26tbo%3Du&zoom=1&q=ciudadela+montevideo+uruguay&usg=__dmEmDYRcQiFSbSqCTvbPib828FQ=&docid=PJVqoaZiU2KiNM&hl=pt-BR&sa=X&ei=oU2UUNboNcbm0gHB24CQDQ&ved=0CEoQ9QEwBQ&dur=3361), e caminhar daí até o Mercado del Puerto, pela Peatonal Sarandí (rua exclusivamente para o uso de pedestres), e passear por lá . Pode-se comer no Mercado, que é praticamente um aglomerado de restaurantes, bares e balcões, e duas lojas de souvenirs.  A primeira vez que lá estive, gostei, na segunda vez preferi não comer no interior do Mercado, tendo escolhido um restaurante em frente à fonte existente em um largo de fronte ao Mercado.  Na última vez, só passei para lembrar como era e ver se havia novidades. Não havia, exceto obras de revitalização da área que prosseguiam. Não convém circular por aí depois que anoitece.

(clique para ampliar a foto)
2) Visitar o Teatro Solís, onde há o café-restaurante Allegro, do lado direito de quem está em frente voltado ao teatro, para almoço-executivo bom; e se quiser impressionar, ou ficar impressionado, fazer o almoço ou o jantar no Restaurante do Teatro Solís, do lado direito. Este é caro e deve-se fazer a reserva com antecedência.  A recepcionista desse restaurante, Rara Avis, e o mâitre falam português escorreito.

3) Almoçar na Bodega Bouza. É uma vinícola pequena e moderna, que se dispôs a privilegiar a qualidade de sua produção sem fazer concessões à quantidade produzida, situada próximo à cidade (de carro talvez não leve meia-hora para lá chegar, indo pela Ruta 5). Necessário fazer reserva (http://www.bodegabouza.com/bodegas-uruguay/restaurant.php,). Também é caro, mas justifica.  Há visitas guiadas pela vinícola, em horas certas, bastando chegar ali no horário indicado na página Web, para quem vai almoçar e para quem não vai.  Há ainda alí uma adega onde são vendidos os vinhos da Bouza no sistema de tax-free, bastando levar o tíquete de venda no guichê da Alfândega no aeroporto (ingresso no salão de desembarque) quando embarcar de regresso.  O estorno do imposto será feito no cartão de crédito.

4) Conhecer a livraria Más Puro Verso (http://www.libreriapuroverso.com/servlets/inicio), e seu restaurante-café no segundo andar. Calle Sarandí, também no Casco Viejo. Vale pela localização e as características do prédio, externas e internas. Há uma filial dela (a Puro Verso) na Avenida 18 de julio, bem próxima da loja Urban Outfitters, mas aquela a se visitar a qualquer custo fica na Sarandí.  Está a curta distância do MuseoTorres García, que fica à esquerda de quem sai da livraria na direção ao portão da Ciudadela.  Dali também se vê a Plaza Independencia e mais adiante o Palacio Salvo, ícone arquitetônico de estilo eclético.  Construído em 1928, possui 95 metros de altura e 27 andares, tendo sido o prédio mais alto da América do Sul por vários anos.

5) Tomar café com conhaque no Café Brasilero, que também fica no Casco ViejoItuzaingó, 1.447, tel. (59 82) 915-8120 (cafebrasilero.com.uy).  Caminha-se pela Sarandí até chegar à praça da Igreja Matriz, Plaza Constitución,  descendo na rua (Ituzaingó) dessa igreja à direita.  Aí na praça da Matriz aos sábados há uma pequena feira de antiguidades. Há também bares e restaurantes com cadeiras ao ar livre, de um lado da praça, e ainda prédios de repartições e um museu de artista plástico local, José Gurvich (http://www.museogurvich.org/index_1.html).

6) Não consegui conhecer ainda o Baar Fun Fun (www.baarfunfun.com), Ciudadela 1229, que é para dançar e escutar música, e dizem ser  imperdível também.  Recentemente consegui apenas que o porteiro verificasse não haver lugares vagos (cheguei lá por volta da meia-noite, tendo ido jantar no Rara Avis).  Funciona de quarta a sábado, com shows ou atrações especiais. Nenhum cartão de crédito, somente a moeda local, o peso uruguaio. Recomendável fazer reserva com antecedência. Pelo site ou por telefone. Fica próximo ao Teatro Solís,  descendo em direção a Rambla Gran Bretaña (avenida ao longo do Río de La Plata).

7) Outra opção para jantar- o forte ali serão carnes - é o Francis (www.francis.com.uy), onde convém fazer reserva com antecedência de 24 horas para evitar espera, que pode chegar a duas horas em noites de grande movimento (a depender da estação e do movimento de turistas brasileiros). Calle Luis de la Torre 502, em Punta Carretas.

8) Outro restaurante para jantar bastante movimentado é La Perdiz, Guipúzcoa 350 esquina Dr. Bolivar Balinas, nas cercanias do Sheraton Hotel Montevideo, em Punta Carretas (para massas, carnes, peixes).

9) Para peixes e para uma vista deslumbrante de Puerto del Buceo (ali está o Yacht Club de Montevideo) e de Playa Honda , o restaurante Heming.way (http://www.hemingway.com.uy/), passando a Playa de los Ingleses, na Rambla República de Mexico (a rambla é uma enorme avenida com 40 km ao longo da margem do Prata e que ganha nomes diversos dependendo do trecho).

10) O restaurante La Cocina de Pedro, Av. Gonzalo Ramirez 1483,  esq. J. B. Amorín, classificado pelo Trip Advisor em 9ª. posição, dentre 254 restaurantes montevideanos.  E ali bem próximo, na esquina de Gonzalo Ramirez e Andrés Martinez Trueba encontra-se, na fachada despretensiosa de um prédio  de apartamentos, a placa registrando o local em que residira o escritor uruguaio Juan Carlo Onetti, um dos principais escritores uruguaios, que se exilou na Espanha em 1975, dois anos depois de instalada a ditadura no país, que durou até 1985.  Ir lá implica em alimento para o corpo e para o espírito.

Dá também para caminhar pela manhã e à tarde ao longo do calçadão (ramblas) do Río de la Plata e conhecer Pocitos, que é um setor residencial interessante.  Em algumas ruas internas, tem-se impressão de estar em Ipanema ou Leblon, nas ruas atrás da Visconde de Pirajá, da Prudente de Morais. Certamente vai atrair sua atenção um prédio de pouca altura, de arquitetura extremamente peculiar, estilo eclético meio rococó, lá pelos lado de Pocitos, Rambla Mahatma Gandhi, 633.  É o Castillo Pittamiglio, onde há um restaurante, Montecristo Restaurante Museo, Rambla Mahatma Gandhi, 633 (www.montecristo.com.uy). Ainda não visitei o local, mas o Castillo Pittamiglio é, por si, atração à parte (http://www.castillopittamiglio.com/), mesmo só externamente.

 
Compritas


Para compras não me parece seja Montevidéu “o” lugar.

Há o Punta  Carretas Shopping  e outro de nome Montevideo Shopping, próximo às torres do World Trade Center (em Montevideo tem e não sofreram ataque da Al-Qaeda!) e outros mais distantes (Portones e Tres Cruces) dessa parte central de MVD. Nada que se assemelhe quer ao Park Shopping, ao Iguatemi, sequer ao Conjunto Nacional, todos de Brasília.  Punta Carretas, no entanto, merece ser visitado pois ali, há muitos anos, foi uma penitenciária onde cumpriu pena o presidente do Uruguay, Jose “Pepe” Mujica, ao seu tempo de guerrilheiro. Dizem que ele, ao contrário de congêneres seus no continente sul americano, não enriqueceu no cargo e pelo cargo, e ainda faz doação de parte significativa dos vencimentos que recebe como Presidente da República uruguaia.

Indian Emporium é uma cadeia de lojas presentes em shoppings e na Avenida 18 de Julio.  Vende vestimentas importadas da China e da Índia.  Para as meninas.

La Pasionaria (Reconquista 587, Ciudad Vieja) é uma combinação de loja de objetos/design, galeria de arte, loja de roupas femininas e um pequeno restaurante bistrô.

A lojinha anexa ao café-restaurante Allegro, no Teatro Solís.
                                                                                                 


(Estátua de Confúcio no Parque Rodó)
(clique para ampliar a foto)


No supermercado Disco, no andar térreo do Shopping Punta Carretas, com sorte pode-se encontrar alpargatas Rueda legítimas, de solas de cânhamo.  Alpargatas, vinhos e azeite são o que vale comprar lá.  Ou, se necessário, outros produtos de uso comum para consumo.  De fácil acesso, tem estacionamento grátis, se se estiver de carro (automóvil ou coche).

Cervezas uruguayas

As mais consumidas são a Pilsen, Patricia, Norteña e Zillertal (minha preferida), normalmente acondicionadas em litro.  E agora sabendo que, no Brasil, cerveja está mais para sakê do que para suco de cevada, certamente vamos consumir as orientais (o Uruguay tem por nome oficial República Oriental del Uruguay e o equivalente ao nosso  Banco do Brasil - BB lá é o BROU – Banco de la República del Uruguay).  Isto porque o Uruguay está situado na margem oriental – leste – do Rio da Prata).  E viva o Mercosur (l)!

Museus e cultura popular

Não deve faltar uma visita ao Museo Torres García (http://www.torresgarcia.org.uy/index_1.html), logo no início da Peatonal Sarandí, depois da Puerta de la Ciudadela (resquícios do cinturão fortificado que protegia a velha cidade de Montevideo).  Para os lados do Porto e do Mercado del Puerto está o Museo del Carnaval (Rambla 25 de Agosto de 1825 Nro. 218), que não deve ser esquecido, pois o Carnaval no Uruguai é o mais longo carnaval de todo o mundo estendendo-se as festividades por quarenta dias,  nos meses de fevereiro e março, embora seu estilo seja muito diferente do que estamos nós, brasileiros, habituados.  Igual é a marcante influência africana nos batuques (llamadas) e ritmos do Candombe, a exuberância das mulheres em trajes coloridos, emplumados e o corpo semidespido.  Mas é notável a diversidade, por exemplo, nas manifestações denominadas Murgas, uma teatralização cantada (http://www.montevideo.gub.uy/ciudad/cultura/carnaval).

Vale a pena uma visita a um patrimônio histórico e cultural montevideano, a Librería Linardi y Risso, Juan Carlos Gómez 1435, classificável como livraria antiquariato centro cultural (http://www.linardiyrisso.com/historia/nuestra_historia.html).


Para quem quiser saber mais, tem o blog super-atualisadérrimo de Mile Cardoso, baiana de Salvador, que se encantou de um uruguaio e mora em Montevideo com seu amado (http://viveruruguay.blogspot.com.br/).


A Intendencia Municipal de Montevideo tem um guia de atrações turísticas na sua página : Descobrí Montevideo(http://www.montevideo.gub.uy/sites/default/files/articulo/guia_turistica_oficial_descubra_montevideu-_portugues.pdf).  Por ele já me dei conta de ter ainda muito o que descobrir em Montevideo.

A seguir trechos de blogs, páginas Web, diários de viagem que encontrei surfando na net.
eplf em Brasília, 21 de outubro de 2012

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Montevideo é um ótimo exemplo de paisagismo urbano. Muitas praças, parques, canteiros… todos, absolutamente todos, bem cuidados. As gramas sempre aparadas, muitas palmeiras e árvores altas, flores, flores, flores! Fora a quantidade de parquinhos e campos de futebol que existem espalhados por essas praças. Lá tem uma lixeira a cada 100 metros e o lixo está dentro dela, assim como deveria ser. rs A cidade, por ser pequena pra quem está acostumado com São Paulo, tem um ar agradável de interior.
Playa Ramirez é uma das praias de Montevideo. Sim, isso mesmo, praia com areia, cadeirinha e tudo o mais. A única diferença é que a água é doce! Achei a organização da área muito boa, sabe. Super sinalizada, cheia de lixeiras e muito agradável. Uma coisa curiosa que eu reparei é que os montevideanos sentam de costas para a água, portanto, de frente para a rambla/rua. A outra praia, maior, é a Playa de los Pocitos. Lá ficam as barraquinhas e o Iate Club.


Talvez uma melhor opção seja a Villa Biarritz, com produtos de melhor qualidade, realizada aos sábados nas ruas Ruas José Ellauri, Leyenda Patria e José Vázquez Ledesma.
À noite as opções para o turista incluem algum dos cassinos da cidade, como o no Radisson Victoria Plaza, restaurantes, e os “boliches” (como são chamados às boates) que se localizam principalmente na Av. Dr. Luis A De Herrera.

A península onde se situa Punta del Este separa o Rio de la Plata do Oceano Atlântico, e um passeio diferente na região é ir até a Isla de Lobos, que conta com uma das maiores colônias de leőes marinhos do continente. Excursőes diárias de lancha levam os turistas para conhecer os encantos desta ilha que fica a cerca de 10 km do litoral de Punta del Este e tem uma extensão de 41 hectares.
http://dicademulherzinha.wordpress.com/2010/04/06/montevideo-parte-1/

A Puerta de la Ciudadela
Passeios
Passeio Cultural da Ciudad Vieja
Para conhecer em detalhes os principais pontos do centro histórico, a Associação de Guias Turísticos de Montevidéu organiza visitas guiadas que saem da rua Sarandí e da Praça Matriz da Ciudad Vieja e recorrem todas as ruas importantes da região. O passeio pode ser de meia hora, por ônibus, ou a pé (com duração de uma hora). Acontece todos os sábados. Aos finais de semana, a Praça Matriz também concentra 90 artesãos e antiquários, que vendem roupas, acessórios e outros objetos acompanhados de apresentações de dança, teatro e música ao ar livre. Nesse epicentro da Ciudad Vieja, ainda estão a Catedral de Montevidéu, erguida em 1804, e o Cabildo, originalmente construído para exercer as funções de centro político e de detenção e hoje transformado em Museu e Arquivo Histórico Municipal. Saídas: para o passeio a pé, procure o posto de informação "Paseo Cultural de la Ciudad Vieja", na r. Sarandí, logo após passar a Puerta de la Ciudadela; tels. (59 82) 901-8746 e 908-1507.

Puerta de la Ciudadela
Baluarte e passagem de entrada para o centro histórico montevideano, esse grande portão começou a ser construído em 1742 como fortificação para proteger a então colônia espanhola de ataques que os portugueses pudessem efetuar a partir do Rio da Prata. Atualmente, o que se pode ver da edificação original são as pedras da base, das laterais e do centro da porta.

Plaza Independência
A Puerta de la Ciudadela está em frente à Plaza Independencia, a mais importante da capital e, conseqüentemente, lugar escolhido para abrigar o monumento, em bronze, granito e cimento, que homenageia o prócer do país, o general José Gervasio Artigas (1764-1850), que liderou os primeiros movimentos de libertação desse território em relação ao domínio ibérico. O mausoléu onde repousam os restos do herói nacional se encontra no subsolo da praça e está aberto à visitação.

Parque Rodo
Nos 43 hectares do parque criado em 1896, o mais popular de Montevidéu, se desenrolam várias atividades: de crianças que rodopiam no antigo parque de diversões a casais que namoram sob a estátua de Confúcio, observando o Rio da Prata, de concursos de Carnaval realizados a cada fevereiro no Teatro de Verano a mostras vanguardistas no Museu Nacional de Artes Visuais. À beira do lago artificial, o parque ainda abriga sua biblioteca infantil, hospedada em uma construção em forma de castelo. Parque Rodó - Rambla Presidente Wilson.

Estádio Centenário
Declarado monumento histórico pela Fifa, o estádio para 70 mil pessoas foi o primeiro do mundo desenhado especialmente para um campeonato de futebol. Concluído em 1930, recebeu o nome de "Centenário" por conta da data de sua inauguração, 18 de julho, feriado uruguaio em que se recorda o juramento da Constituição do país, que então completava cem anos. Aí se realizou a primeira Copa do Mundo, em que o Uruguai saiu campeão. Parque Battle - av. Ricaldoni, s/nº.

A discreta livraria Linardi y Risso Livraria Linardi y Risso
Fora da rota turística mais óbvia, a discreta livraria transpira história por seus corredores apertados e suas altas estantes. Nascida na Ciudad Vieja pouco antes do final da Segunda Guerra, a livraria abasteceu o imaginário de Pablo Neruda em suas investigações do universo latino-americano. Outros autores têm esse rincão das letras por referência. Do livro de visitantes do lugar fazem parte nomes como Mario Vargas Llosa, Tomás Eloy Martínez, Ricardo Piglia, o Nobel mexicano Octavio Paz (1914-1998) e o crítico uruguaio Ángel Rama (1926-1983). R. Juan Carlos Gómez, 1.435, tels. (59 82) 915-7129 e 915-7328.
www.linardiyrisso.com
Museu do Futebol
No estádio, sob a tribuna Olímpica, foi criado um museu dedicado ao mais latino dos esportes. À disposição, se encontram arquivos em documentos e imagens dos campeonatos de 1924, 1928, 1930 e 1950, ocasiões em que a seleção uruguaia ganhou a Copa do Mundo, e informações de outros torneios. Na Torre das Homenagens, um mirante possibilita visão panorâmica de Montevidéu. Av. Ricaldoni, s/nº; tel. (59 82) 480-1259.

Parque do Prado
Endereço do Jardim Botânico de Montevidéu, o Prado ainda sedia uma exuberante criação de rosas e esculturas que têm por tema personagens indígenas e gaúchos. Anualmente, também abriga a Exposição Rural da cidade e as "jineteadas" --espécie de campeonato de peões, a exemplo dos rodeios brasileiros--, que dão a tônica da "Semana Criolla" na capital, durante a Semana Santa.

Plaza del Entrevero
A cêntrica praça serve como agradável ponto de parada durante a caminhada pela avenida 18 de Julio, a mais importante da cidade. Suas estruturas envidraçadas e o poético chafariz convidam a observar a agitação a partir de um ponto privilegiado. O lugar recebe shows de tango e durante toda a semana é a sede da Corazón al Sur, uma das mais completas lojas de discos e livros de autores nacionais. Av. 18 de Julio, entre as ruas Julio Herrera y Obes e Rio Negro.

Jardim Botânico e Museo Blannes
Duas atrações baratas e maravilhosas: O Jardim Botânico de Montevidéu e o Museo Blannes ficam a poucos metros um do outro e merecem a sua visita. No Jardim Botânico há lindas espécies de rosas, um espaço tranquilo para relaxar e curtir a natureza local.
No Museo Blannes, bem próximo dali, há outro jardim, o Jardim Japonês, que remonta à paisagem japonesa com pequenas pontes, ilhas e cascatas.

http://viagem.uol.com.br/guia/cidade/montevideu_passeios.jhtm

O Rosedal fica no El Prado, o bairro que é o pulmão da cidade e considerado um dos mais nobres. Quando entrei no Rosedal, outra decepção por querer fazer uma comparação novamente com Buenos Aires. Eu pensava encontrar semelhança com o Rosedal de Buenos Aires, ou seja, um lugar cheio de rosas frescas e coloridas. Mas onde estavam as rosas do Rosedal de Montevidéu? Não estavam, e isso foi uma desilusão de imediato para mim. Mas, aos poucos, fui gostando cada vez mais daquele ambiente, imaginando que aqueles túneis de grade cobertos de plantas deveriam ostentar lindas rosas na primavera. Exatamente isso! Não era a época delas, só depois de alguns minutos de desencantamento é que me toquei que estávamos no outono. Então, deixei para lá a frustração e desfrutei do parque apreciando seu grande espaço verde e imaginando o quão romântico seria estar ali na primavera.
O Rosedal fica ao lado do Jardín Botánico, portanto, apesar da pressa, não podíamos deixar de dar uma passadinha lá. Na entrada, fomos recebidos por um senhor muito simpático que pediu para tirar uma foto da gente, atrás da placa de madeira que identifica aquela área: Museo y Jardín Botánico Prof. Atilio Lombardo. Vimos pouca coisa lá devido à pressa, mas, à primeira vista, não nos chamou muito a atenção. Com tempo, teríamos feito também um pit stop no famoso Hotel del Prado para experimentar o seu tão recomendado chá da tarde e admirar o seu belo prédio que se tornou um Monumento Histórico Nacional.
E foi com o Jardim Botânico que fechamos o tour de nosso último dia na capital uruguaia. Deixamos para almoçar no Aeropuerto Internacional de Carrasco, mas nem sabíamos que não havia restaurantes nesse aeroporto. Pelo menos, só vimos o McDonald’s. O Aeroporto de Carrasco também não oferece muitas lojas e é difícil encontrar alguma coisa para se distrair ali, o que pode ser extremamente tedioso para aqueles que têm que esperar horas pelo seu voo. Quem chega a Montevidéu de voo de conexão em Porto Alegre, no Aeroporto Internacional Salgado Filho, percebe logo a diferença entre os dois aeroportos. O de Porto Alegre é ótimo, oferece uma excelente praça de alimentação, lojas e até mesmo salas de cinema.
A velha Montevidéu, que está se modernizando cada vez mais, pode ser muito mais interessante do que imaginam. Para um feriado prolongado, ela pode ser perfeita, principalmente para quem mora em um país vizinho, como é o caso de nós, brasileiros. Para mim, a cidade foi ainda um pouco mais do que eu esperava porque eu não sabia que passear por suas ramblas poderia ser um programa tão prazeroso.
— O carnaval de Montevidéu é o mais longo do mundo, dura 40 dias. Há vários desfiles nas ruas. O Desfile de Las Llamadas acontece um mês antes do carnaval.
— Anote aí outros pontos turísticos de Montevidéu (não chegamos a visitar nenhum desses): o Parque de Rivera (no bairro Carrasco), o Cerro de Montevideo (para ver a cidade de cima), os museus (há vários, por exemplo, o Museu Romântico, o Museu Torres García e o Museu Histórico Nacional), a casa de chá Cake’s (na Calle José Ellauri, 1067, em Pocitos), o monumento La Carreta (no Parque Battle y Ordoñez), o Parque Zoológico Lecocq, os bolichos (bares e pubs) e o Estadio Centenario (onde foi realizada a final da Copa de 30).
— A Fuente de los Candados (Fonte dos Cadeados) é outro ponto turístico interessante, principalmente para quem quer viver um amor eterno. Fica no cruzamento da Av. 18 de Julio com a Calle Yi. A placa da fonte diz: La leyenda de esta joven fuente dice que si se le coloca um candado com las iniciales de dos personas que se aman, volveran juntas a visitarla y su amor viverá por siempre ... Pena que não tive tempo de passar por lá, se não eu teria trancado um cadeado na grade. Adoro me divertir com esses tipos de lendas que quase todas as cidades têm.
http://travelexperiencesreginahelena.blogspot.com.br/2010/04/montevideu-uruguai.html

Tuesday, March 08, 2011

En el paticundun uruguayo

Ciudades


Montevideo esta vacía pero llena de turistas


Turismo. Es difícil conseguir donde alojarse en la ciudad; turistas quieren ver Carnaval


http://www.elpais.com.uy/11/03/08/pciuda_551995.asp?utm_source=news-elpais&utm_medium=email&utm_term=text-link&utm_content=Turismo "llena" Montevideo&utm_campaign=Resumen Matutino
Montevideo tuvo ayer dos caras: para los uruguayos estaba "vacía" y para los turistas que no encontraban hotel para alojarse estaba "repleta". Los tablados y el Teatro de Verano son, en la capital, la principal atracción para los visitantes.



Un turista brasileño y su familia circulaban en un automóvil por Gonzalo Ramírez el domingo a la noche. Al llegar al cruce con Minas se detuvieron y le preguntaron a un hombre dónde quedaba el Centro. Comentaron que buscaban hotel porque en el Sheraton, Ibis y "algunos otros" les habían informado que estaban "colmados".



El panorama se repitió con varios turistas que llegaron a Montevideo sin tener reserva. Y para aquellos que quisieron concretarla cerca del feriado de Carnaval no fue sencillo encontrar una habitación para alojarse. Es que el sector hotelero de la capital del país está, en general, con 100% de ocupación.



"Al no tener un observatorio no tenemos cifras claras. Pero sabemos que los hoteles están colmados", comentó a El País el coordinador del Conglomerado de Turismo de Montevideo, Óscar Iroldi. Otro de los indicadores que refleja la gran presencia de turistas, según Iroldi, es que los hoteles y restaurantes están trabajando con todo su personal. "Desde la gerencia hasta los botones o mozos. Todos están trabajando", dijo



Quienes no previeron la llegada de turistas fueron algunos comercios de 18 de Julio que ayer tenían baja la cortina. La mayoría de las personas que caminaban por el Centro eran visitantes, que se detenían a mirar los pocos locales abiertos. "Casi todos los que entraron hoy no eran de acá", comentó una vendedora de medierías Si Si.



CARNAVAL. En el mes de enero un delegación uruguaya viajó a Buenos Aires para promocionar un circuito candombero que incluye: el museo Figari, una recorrida por Barrio Sur con visitas a ensayos de comparsa y el lugar donde funcionó el viejo conventillo Medio Mundo, además del Cine Plaza donde se presentan diferentes espectáculos de carnaval. Según Iroldi dicha gestión en el vecino país "dio sus frutos" y provocó que los hoteles estén hoy a tope.



"Me han comentado que en el Teatro de Verano también se nota la presencia de extranjeros. En el Museo del Carnaval, el domingo, había muchísimos argentinos y brasileños", dijo. Y agregó: "tanto fue así que en el restaurante del Museo se quedaron sin comida a mitad del show."



Más allá del buen momento que vive a nivel turístico la capital, Iroldi insiste en que es un destino "desestacionalizado" y que en los meses de menor presencia de extranjeros (mayo - junio) los hoteles están con 60% de ocupación. Así es que el Conglomerado arma un calendario de propuestas culturales para todo el año. "Durante mucho tiempo escuché que en Montevideo no hay nada para hacer y yo creo que los montevideanos conocemos poco nuestra agenda. Por suerte, los hoteleros y los gastronómicos están trabajando fuerte con nosotros y tienen toda la información para direccionar a los turistas", aseguró.



En Salto se hicieron colas para el acceso a las Termas del Daymán

SALTO
LUIS PÉREZ



Los centros termales de Daymán, Arapey y Salto Grande están colmados de turistas con buena presencia de argentinos y brasileños. Solo en Arapey hay aproximadamente 6.000 personas alojadas en hoteles, bungalows, moteles y la zona de camping. Desde el fin de semana la hotelería trabaja a full y así acontecerá hasta hoy cuando finalice el feriado que ha sido definido por los operadores del rubro hotelero y gastronómico como muy auspicioso, así como también por los empresarios de los parques acuáticos que se han visto desbordados de público desde el pasado sábado.



Ayer se formaron largas filas para el ingreso a Termas del Daymán y al parque Acuamanía. Dentro del parque acuático había colas para lanzarse desde los toboganes o participar de las actividades recreativas dentro de las piscinas.



Unos 70 ómnibus arribaron a la Terminal de Salto Shop-ping el pasado fin de semana y a partir de esta noche decenas de coches retornarán nuevamente hacia el Sur.



Desde la oficina de Turismo de la Intendencia se informó que en los centros termales hay un 100% de ocupación.



Hasta seis horas de espera en la frontera

RÍO NEGRO
DANIEL ROJAS



La avalancha de visitantes que cruzan de Argentina a Uruguay por el puente San Martín provocó demoras de hasta seis horas, lo que generó malestar entre visitantes. Bonaerenses que disfrutan por estas horas del balneario Las Cañas hicieron notar que en dos horas y media cubren el trayecto Buenos Aires-Fray Bentos, pero al llegar a la frontera, los trámites burocráticos generan una espera que en algunos casos fue el doble del tiempo que les insumió la ruta. "Conocimos este balneario y nos gustó tanto que decidimos volver. Lamentablemente la Aduana (por Migración) nos mató, porque tuvimos una demora de seis horas para cruzar el puente y el personal de Prefectura me dijo que todo el día (sábado) fue así" informó Luis que vino en su auto con sus padres e hijos. En la capital de Río Negro, la capacidad hotelera se vio rápidamente colmada, y los turistas debieron dirigirse a Mercedes.



El director municipal de Turismo, Nazario Pomi, dijo que la afluencia superó todas las expectativas, lo que abriga la esperanza de extender la temporada durante los meses de marzo y abril "y a pesar del inicio de las clases". "Es una prioridad resolver cómo vamos a ampliar la capacidad hotelera. Nos vimos desbordados en hoteles y casas alquiladas", dijo.



Wednesday, February 02, 2011

Blocos, líderes, representação e governabilidade

A matéria jornalística transcrita a seguir faz referência ao trabalho da cientista social Geralda Luiza de Miranda, cuja íntegra é encontrada no site SCIELO:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-44782010000300013&lng=en&nrm=iso&tlng=pt
Revista de Sociologia e Política
version ISSN 0104-4478
Rev. Sociol. Polit. vol.18 no.37 Curitiba Oct. 2010


Valor Econômico › Impresso › Política


O Congresso põe seus blocos na rua

Cristian Klein

02/02/2011
O Congresso se mobilizou ontem para a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado. José Sarney (PMDB-AP) segue para seu quarto mandato à frente da Casa Alta. No Parlamento, está há 35 anos. Supera, como ressaltou em discurso, até Ruy Barbosa, que ficou de 1890 a 1921 no Senado. Ex-presidente da República, deve sua sobrevivência, nos últimos anos, ao apoio do agora também ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o defendeu, certa vez, dizendo não se tratar de um "cidadão comum". Na Câmara, o favorito Marco Maia (PT-RS) recebia críticas pela possibilidade de ser um 38º ministro de Dilma Rousseff - ou seja um preposto, à frente de um Legislativo submisso ao Executivo.



Sobre o Congresso Nacional sempre pairam as maiores desconfianças. Privilégios, sinecuras e dúzias de escândalos recorrentes colaboram para que o Parlamento não tenha boa imagem diante da opinião pública. Perto dos outros dois poderes - Executivo e Judiciário -, o Legislativo é, de longe, o que tem a reputação mais arranhada. Individualmente, poucos avanços têm sido feitos por deputados e senadores para mudar o quadro de descrédito. No entanto, em meio ao cenário desolador, há um arcabouço institucional favorável e mudanças recentes que têm agido no sentido de fortalecê-lo.



O funcionamento do Congresso brasileiro em torno de linhas partidárias razoavelmente rígidas tem se consolidado, o aproximando cada vez mais do modelo europeu e o distanciando do americano. Enquanto nos Estados Unidos o Congresso é quase sempre considerado o reino do individualismo dos parlamentares, eleitos para atender aos interesses paroquiais de seus distritos, o Parlamento brasileiro é capaz de barrar incentivos personalistas da arena eleitoral - graças à Constituição e aos regimentos internos das duas Casas legislativas.



"Todo poder aos líderes" poderia ser o dístico a ornar a entrada do Congresso Nacional. A delegação de poderes à Mesa Diretora e aos líderes partidários - e daí a cobiça pelos cargos distribuídos ontem na Câmara e no Senado - é o mecanismo pelo qual o Parlamento encontrou, durante a Constituinte, para resolver os problemas de ação coletiva numa Casa apinhada de 594 representantes com tantos interesses contraditórios.



Legislativo tem em seu tamanho uma desvantagem

Afora os conhecidos desvios de conduta de seus integrantes - o que, por outro lado, também reflete o caráter mais aberto do Congresso - reside aí uma das maiores desvantagens do Legislativo em relação aos outros poderes. O Executivo é hierárquico e, no limite, se move a partir de uma única cabeça, presidencial. A Suprema Corte do Judiciário é composta pelo restrito comitê de 11 ministros. Para que o Legislativo tenha um mínimo de coesão e agilidade, a solução foi concentrar o poder na Mesa Diretora e nos líderes.



As candidaturas avulsas de Sandro Mabel (PR-GO), Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Chico Alencar (PSOL-RJ), na eleição de ontem à Presidência da Câmara, neste sentido, refletem o anacronismo do poder parlamentar individual numa Casa regida pela linha partidária. Ou pela lógica que a move. A formação, em cima da hora, de cinco blocos partidários que atuarão na nova legislatura é resultado ainda mais evidente deste cálculo político. A melhor estratégia de pressão - seja interna ou voltada para fora - é a articulação em grupo. Se partido não basta, formam-se blocos.



O fato de a formação dos blocos ter se originado à revelia da presidente Dilma Rousseff é sinal de que o Legislativo pode encontrar espaços de independência. A aglutinação começou com PV e PPS (26 deputados), foi imitada por PR e partidos nanicos (60) e depois chegou aos médios e grandes. O PT e o PMDB formaram o maior bloco, ao lado de PP, PDT, PSC e PMN, com 257 parlamentares, no limite para a maioria governista. Também da base aliada, PSB, PTB e PCdoB reuniram seus 71 deputados. E as maiores siglas da oposição, PSDB e DEM, criaram bloco com 96 (19% do total).



Constitucionalmente, a distribuição dos valiosos postos das Mesas Diretoras pode seguir a divisão por partidos ou por blocos. Seja como for, o incentivo é em direção à lógica que põe as organizações partidárias como protagonistas do processo decisório. Se o auge do personalismo na política brasileira geralmente ocorre em situações de sobrevivência eleitoral, o ápice do partidarismo se dá no Congresso e na eleição de suas Mesas Diretoras.



A difundida imagem de parlamentares que, por meio de barganhas individuais, fazem do(a) presidente um refém indefeso não condiz com a realidade. A pressão só é eficaz pela ameaça crível, e esta só ocorre por meio de um líder que controle os votos de seu grupo.



Não é à toa que até uma legenda considerada pouco coesa, fisiológica, como o PR, tenha ameaçado de expulsão Sandro Mabel, que insistiu e manteve sua candidatura avulsa. A possibilidade de auto-indicação à Presidência da Câmara - como fizeram Mabel, Bolsonaro e Alencar - é, assim, uma provisão contraditória na engrenagem do Parlamento.



Para a cientista política e pesquisadora do Ipea Geralda Miranda seria um resquício do poder parlamentar individual. Em artigo intitulado "A delegação aos líderes partidários na Câmara dos Deputados e no Senado Federal", Geralda mostra como duas mudanças institucionais recentes reforçaram o comportamento partidário no Congresso.



A primeira foi a resolução, em vigor a partir de 2007, que estabeleceu que a correlação de forças entre os partidos no ato da diplomação, sobre a qual se baseia o critério de proporcionalidade, vale até o fim da legislatura. Isso tornou menos atraente aos partidos, geralmente os governistas, a cooptação de parlamentares com o objetivo de ganhar melhores postos numa recomposição da Mesa Diretora. A segunda mudança, também em 2007, foi a decisão do TSE de que os mandatos pertencem aos partidos.



"São medidas que apontam para o fortalecimento dos partidos, especialmente os de oposição, e tornam o Legislativo um espaço mais independente em relação ao Executivo", afirma a cientista política. Geralda lembra que a candidatura avulsa também favorece a oposição, mas sob o signo da incerteza e do descrédito, como foi a eleição surpreendente de Severino Cavalcanti, em 2005.



Cristian Klein é repórter de Política. A titular da coluna, Rosângela Bittar, está em férias

E-mail cristian.klein@valor.com.br




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Pede a banda pr'á tocar um dobrado ...

Quando vejo ou ouço algum petista falando de política, não sei porque lembro dessa composição de Ivan Lins:

"SOMOS TODOS IGUAIS NESSA NOITE" (I. Lins - V. Martins)

Thursday, January 27, 2011

Desindustrialização brasileira é desculpa para quem quer aumentar preços de commodities

Aqui se ouve entrevista de Alexandre Schwartzman, economista-chefe do Santander, analisando a favorabilissima cena internacional para países exportadores de commodities (como aqui os Bruzundangas ...), o desvalorizado Renminbi (Moeda do Povo) ou Yuan, e outros temas atuais. A certa altura, Schwartzman afirma que nós não estamos fazendo o que o China está: investindo em educação de seu povo e em infraestrutura. Assim, não pode! Assim não dá!

Saturday, November 20, 2010

Lynaldo Cavalcanti. Além das Palavras

Ontem, na pós-gradução da Universidade Católica de Brasília – UCB (916 Norte) o livro “Lynaldo Cavalcanti. Além das palavras”, recém-publicado pela Paralelo 15, de autoria do professor Ivan Rocha Neto, homenageou o biografado, que ali se materializou, recebeu cumprimentos sorridente, concedeu autógrafos, agradeceu a homenagem e rememorou sua experiência em uma breve locução aos presentes.   Lynaldo está muito lúcido, embora combalido, quando vc repara bem nele ou mais de perto.  As mãos já não são tão firmes e a escritura tem menos força no traço; e parece menor a mobilidade no andar.  Seriam sequelas de um diabetes que o atingiu. Sua voz e timbre inconfundíveis e a crença na missão de sua vida permanecem. Educador. Gestor. Líder.   Li o livro em uma só assentada, pela madrugada.  Lynaldo é uma personagem histórica brasileira, não me tinha dado conta disto até ontem.  Ivan, a certa altura do livro, afirma e testemunha que figura eminente do establishment científico brasileiro teria-lhe confidenciado, durante visita à Paraíba, que fora convidado para presidir o CNPq e pensava em Lynaldo como seu Vice.  Acabou por o convite oficial ser feito ao Lynaldo e, parece, gerando estremecimento entre os protagonistas.  Anos depois aquele acabou ministro de C&T, mas não saberia dizer qual das figuras, histórica e políticamente, foi maior, menor ou se foram iguais.  Um professor quase desconhecido fora das fronteiras que o viram nascer e amadurecer seus ideais, que revoluciona o ensino superior em um Estado do Nordeste, periférico até para padrões regionais, projetar-se com esse êxito e vir ser protagonista no âmbito federal. Nos cinco anos de sua gestão, dos quais testemunhei quase quatro anos, vi uma longa gestão,  frutífera, e correta como poucas, para os padrões da burocracia brasileira, e para mim, depois, sem outra que se lhe comparasse.  O livro de Ivan Rocha Neto não esgota essa história.  No entanto, é fonte autêntica para melhor conhecer o homem, orgulho para sua terra, sua família, sua gente, seus amigos e colaboradores.

Thursday, October 14, 2010

Debate e opinião

A Câmara dos Deputados produz um programa televisivo - Expressão Nacional -onde se realizam debates e entrevistas com a participação de parlamentares e analistas especializados. http://www.camara.gov.br/internet/tvcamara/?lnk=EXPRESSAO-NACIONAL-FAZ-UM-BALANCO-DAS-ELEICOES-2010-BL-1&selecao=MAT&materia=111356&programa=110&velocidade=100K Aqui se fez um debate com dois parlamentares e dois analistas políticos e um advogado e professor de direito voltado à temática do Direito Eleitoral, sobre a lei dos fichas sujas e o impasse verificado no STF, no julgamento do primeiro processo em que se analisou a constitucionalidade dessa lei. A lei dos fichas sujas resultou de um segundo projeto de iniciativa popular bem sucedido.

Sunday, October 03, 2010

O povo não é bobo

Caros amigos e amigas, a apuração dos votos das eleições gerais chega ao final, restando agora talvez menos de 2,0% de votos a serem computados. Lula e o PT tiveram uma derrota histórica! Lula, o arrogante, o preguiçoso, o parlapatão, não conseguiu aquilo que ele alardeava há meses ser seu objetivo praticamente exclusivo: fazer dessas eleições um plebiscito nacional contra o PSDB. A soma dos votos dos opositores à candidata de Lula foi maior que 51%, o que significa dizer não apenas que vamos para o segundo turno dessas eleições presidenciais, no próximo dia 31 de outubro, mas que Lula e Dilma perderam as eleições nesse primeiro turno, pois o eleitorado majoritariamente votou contra eles. Isso não quer dizer que Dilma não possa vir a eleger-se, há muito ainda em contrário ao seu concorrente, José Serra. Mas um recado foi claramente passado das urnas para os poderosos do momento: o povo não é bobo e não está satisfeito com a desfaçatez com que o PT e seus líderes atuam, Lula inclusive. Como é possível, em questão de alguns poucos dias, às vésperas das eleições, haver uma subtração tão grande de votos de quem já se via eleita? a ponto de seu círculo de aliados e correligionários mais próximos já estarem disputando cargos e indicações? Para se ter uma idéia de quão desrespeitosa foi e era a atitude do PT e de seus líderes nessa campanha, corria a notícia ainda ontem de que já estavam em marcha os preparativos para uma grande festa aqui em Brasília, para saudar a vitória de Dilma Rousseff, embora tudo ainda sendo feito na surdina. O quanto isso também era manipulação da opinião pública não saberia dizer, como também não saberia dizer porque as constantes pesquisas de opinião pública e de intenção de voto publicadas regularmente em jornais e conduzidas por renomados institutos de pesquisa de opinião não identificavam a tendência de queda de mais de 5 pontos percentuais nos últimos três ou quatro dias. Tive também a satisfação de ver Antonio Carlos Mendes Thame reeleger-se deputado federal para mais um mandato pelo Estado de S. Paulo. E ali, mais uma vez, Lula também foi derrotado, e em definitivo, pois o candidato a governador pelo PSDB naquele Estado elegeu-se em primeiro turno. Em resumo, Lula e seu populismo chinfrim foram derrotados.

Friday, September 24, 2010

The horror! The horror! a irrelevância ...

Assisti, ontem, até marrômenus umas 23 horas, a leitura de voto de um eminente capa-prêta. Antes, mais cedo, no mesmo dia, já havia assistido a leitura de voto feita por outro (um que, até, é meio sacaneado pelos colegas lá do Egrégio, mas que, de tudo quanto assisti desse julgamento, e mesmo não tendo desse outro ministro impressão muito republicana, foi o que melhor me pareceu ter-se saído tecnica e discursivamente. Admito não ter ouvido outros três que já haviam-se manifestado). Do antes referido ouvi um colorário, meio sobre o repetitivo, de fórmulas cansadas e vazias, tipo "núcleo eficacial", "substrato axiológico" blablabla. Foi aparteado, a um certo momento, por três dos colegas. Fizeram-se ouvir opiniões inteiramente dispensáveis para elucidar a controvérsia, ó vida ó céus! A questão em debate - no frigir dos ovos - é bem singela: a aplicação do artigo 16, Constituição Federal, que assim dispõe - "a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência". O contexto legal em que a aplicação da norma constitucional se apresenta terá lá suas complexidades: a lei da ficha-limpa interessa ao processo eleitoral ou não? O que se caracteriza por processo eleitoral e o que diz respeito à matéria eleitoral lato sensu, mas não ao processo e a procedimentos para escolha dos futuros ocupantes de cargos eletivos? ficha-limpa diz respeito à candidatura ou à eleição? resumamos assim. Já disseram que uma boa pergunta conduz à meia-resposta. O noticiário jornalístico de hoje atesta que o palavrório foi sucedido por um bate-bôca de suas excelências, que não lograram (lograram {?} ...), ao cabo de dois longos dias de sessões de julgamento sobre o mesmo assunto, chegar a uma decisão perfeita e acabada.

Sunday, August 08, 2010

Queijo D.O.C.

São Paulo, domingo, 08 de agosto de 2010, Folha de S. Paulo Ilustrissima ENSAIO Não mexam no meu queijo O canastra resiste à industrialização CARLOS ALBERTO DÓRIA resumo Recentemente tombado pelo Iphan como "patrimônio imaterial", o queijo minas feito com leite cru na Serra da Canastra (MG) é o símbolo de um modo de vida em vias de extinção. O potencial de valorização da produção artesanal de alimentos, no entanto, ainda esbarra em obstáculos legais, econômicos e culturais. Uma pradaria eternamente lambida pela brisa silenciosa estende-se, monótona, por mais de 70 quilômetros, no alto da Serra da Canastra, onde nasce o rio São Francisco. Poucos vestígios de ocupação humana nesse lugar mítico, transformado em parque nacional pelo regime militar, em 1972. Ruínas dos cercados de pedra de um curral de bois de séculos atrás, estabelecido por conta da excelência da pastagem, chamam a atenção do viajante. Vez ou outra um tamanduá, um gavião ou um escorpião aparecem como provas ambulantes de um passado e uma natureza que teimam em permanecer. Ali é sertão das Gerais. O parque, criado antes da onda ecológica para preservar as nascentes do rio da "integração nacional", ocupa o centro de uma vasta região pecuária que se derrama pelas encostas da serra, onde se produz aquele que é considerado o melhor queijo do Brasil: o "canastra". O canastra é a "nata" do queijo brasileiro. E a "nata" do canastra é o Canastra Real. Estima-se que a produção rural de queijos brasileiros envolva 359 mil produtores, que produzem 202 mil toneladas, sendo que 72 mil deles estão em Minas Gerais. Cerca de 88% são pequenos produtores, como o sr. José Mario, produzindo a partir de cerca de 50 litros de leite por dia. Modo de Vida Como todo queijo de leite cru, o canastra nasce do artesanato agroalimentar e é a materialização de um modo de vida. Ele absorve, 365 dias por ano, o trabalho do proprietário e sua família. Sem o queijo, o leite é vendido a preço vil para os grandes laticínios, os filhos mudam para a cidade, a família se desestrutura. O queijo industrial deixa atrás de si a morte da pequena propriedade agropastoril. "Não tenho precisão de nada além de açúcar e sal", diz José Mário, um dos artesãos mais respeitados de São Roque de Minas (MG). Esguio, vestido com apuro, envergando o seu inseparável chapéu, ele pontifica no terraço de sua casa: "Desde que me tenho por gente faço queijo, nunca fiz outra coisa e nem quis". Mas há gente que pensa em desistir. O brasileiro come meio quilo de queijo minas por ano, sendo que no Sudeste (incluindo Minas Gerais) esse total sobe para 833 gramas. Mas esses dados do IBGE se referem a todo queijo de coalho, chamado "tipo minas". Os verdadeiros são aqueles de algumas poucas regiões do Estado de Minas Gerais, segundo iniciativa do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) que cuidou de "tombar", no ano passado, o modo de fazê-lo no Serro, Canastra e Araxá -todas regiões de Minas Gerais. E os produtores dessas poucas e pequenas regiões lutam pela demarcação da área e pela certificação pública da qualidade e procedência do produto. Ao leite, tirado da vaca, ainda quente, se acrescenta o coalho e o "pingo" -uma pequena porção do soro que restou do leite coalhado no dia anterior, rico em microorganismos que conferem a tipicidade do queijo de uma região ou produtor. É a herança da qualidade que se mantém através dos tempos e conserva sua identidade. Depois, a massa é prensada, colocada em formas cilíndricas e coberto com sal grosso. No dia seguinte, é desenformado e colocado em estantes de madeira para secar. Em duas ou três semanas está pronto, atingindo excelente maturação em 30 dias (meia-cura). Insubordinação Mas o maior inimigo do queijo feito como o Iphan descreve é o próprio Estado. Por legislação sanitária de 1952 -que possui mais de 900 artigos!-, a queijaria, onde se faz o autêntico minas é definida como instituição transitória, pois elas "só podem funcionar quando filiadas a entrepostos de laticínios registrados, nos quais será complementado o preparo do produto com sua maturação, embalagem e rotulagem". Isso quer dizer que, quando houver nas proximidades uma usina de leite, em geral de propriedade de grandes indústrias ou cooperativas, a "queijaria" autônoma se torna um ato de insubordinação; a produção se torna ilegal. Por isso, das 72 mil toneladas que se produzem em Minas, estima-se que cerca 60 mil são comercializadas no mercado informal. Sem o carimbo sanitário federal -o SIF- o queijo não pode ir além dos limites municipais, a menos que o governo do Estado assuma a inspeção e permita que circule em seu território, como em Minas Gerais desde o governo de Itamar Franco (1999-2002). As autoridades do SIF simplesmente ignoram as condições especiais e exigem que a queijaria tenha uma infraestrutura que está muito longe das posses dos pequenos pecuaristas, estabelecem prazos mínimos de maturação, formas de embalagem, meios de estocagem que descaracterizam completamente a tipicidade do canastra. Assim, a filosofia higienista das autoridades, seguindo o modelo norte-americano depois da Segunda Guerra, tem provocado estragos no mundo todo. Na França, onde a esmagadora maioria dos seus mais de 500 queijos é de leite cru, tem desenvolvido um duplo padrão: o queijo autêntico, de "terroir", fabricado apenas para o mercado interno; o queijo de leite pasteurizado, para exportação, especialmente para os EUA. É o proprietário da queijaria Marie Quatrehomme (62, Rue de Sèvres, Paris) quem nos diz: "A grande indústria de laticínios usa o Estado, as normas higiênicas, para se impor, monopolizar o negócio. O leite pasteurizado é interesse da grande indústria, não do pequeno produtor". Luciano Carvalho Machado, presidente de uma associação de produtores de queijos canastra em Medeiros (MG), produtor inclusive do Canastra Real, indaga, abismado, deste lado do Atlântico: "Se o cigarro, que faz tanto mal, pode ser comercializado legalmente com aquelas advertências, por que não colocam um selo no queijo de leite cru dizendo que possuem microorganismos que podem ser nocivos à saúde?". E acrescenta: "Eu fui criado com queijo, meus filhos comem queijo. Veja como são crianças sadias!". O Canastra Real é um filigrana dessa história. Além de Luciano, em Medeiros, só João Leite, em São Roque de Minas, faz este tipo de queijo. Os dois mantêm a tradição de um produto feito desde o século 18 para presentear pessoas gradas: no passado, autoridades; hoje, banqueiros e "gourmands". Em cada grau de maturação (entre 30 e 240 dias), o queijo apresenta diferentes qualidades sensoriais: sabor, aroma, textura. A partir de uma produção, portanto, o tempo, a temperatura e umidade criam novos e variados queijos. Séculos são necessários para se criar um queijo típico e o Brasil é pobre em queijos originais. Mas, cronista e observador arguto, o naturalista Auguste Saint-Hilaire, que viajou pelas encostas da Serra da Canastra, já registrava esse queijo e seu alto conceito, inclusive na corte. Acondicionado em burracas, no lombo de burros, atravessavam pacificamente o sertão mineiro e desciam para o Rio de Janeiro em longas viagens ao largo das quais "amadurecia". Exceção Em maio, o presidente Lula editou um decreto visando estimular os acordos entre municípios e Estados, com o objetivo de criar uma rede nacional de entidades fiscalizadoras que permitiriam a livre circulação dos produtos da agroindústria artesanal. A norma mostra que o governo federal sente que aí há um problema a resolver. Mas as entidades de produtores reivindicam mais do que isso; por exemplo, que o Ministério do Desenvolvimento Agrário assuma a tutela dos pequenos produtores. Um estatuto especial, uma norma de exceção, seria a saída para um produto que é, ele mesmo, uma exceção ameaçada de morte. No mundo todo, após a globalização, os pequenos produtores rurais lutam -e muitos conseguem- o reconhecimento da particularidade de suas obras, gozando de proteção pública. Só assim são capazes de competir nos novos mercados sem serem massacrados pelo grande capital. Azeites, vinhos, geleias, sal, queijos, deixaram de ser coisas uniformes para serem multifacetadas e apreciadas em suas qualidades diversas. Essa é a luta do queijo canastra -especialmente a do Canastra Real; uma luta ao mesmo tempo universal e local, para a qual os brasileiros precisam estar atentos.

Tuesday, August 03, 2010

Observaciones sobre el plano-secuencia: un ensayo de Pasolini

un ensayo de pasolini Al revisar, hace unos días, el número 21 de El poeta y su trabajo (invierno de 2005), me encontré con este ensayo fascinante de Pasolini: “Observaciones sobre el plano secuencia“; observaciones, también, sobre las posibilidades de la vida y su incógnita y del montaje, como un modelo para armar, después de la muerte. Vale mucho la pena detenerse, en este mismo número, en el ensayo de Aldo Pellegrini, “La acción subversiva de la poesía“; en el poema “Cuevas“ de Robert Creeley y en “Versos de testamento“ del propio Pasolini. Observaciones sobre el plano-secuencia Pier Paolo Pasolini Traducción: Javier Barreiro Cavestany Observemos la filmación en 16 mm, realizada por un espectador en la muchedumbre, sobre la muerte de Kennedy. Se trata de un plano-secuencia, y es el más típico plano-secuencia posible. El espectador-operador, en efecto, no decidió los ángulos visuales: simplemente filmó desde donde estaba, encuadrando lo que su ojo —más que el lente— veía. El plano-secuencia típico es, por lo tanto, una “subjetiva”. En la película posible sobre la muerte de Kennedy faltan todos los demás ángulos visuales: el de Kennedy mismo y el de Jacqueline, el del asesino que disparaba y el de los cómplices, el de las demás personas presentes ubicadas en los lugares más apropiados y el de los guardaespaldas, etcétera. Suponiendo que tuviésemos pequeñas filmaciones realizadas desde todos esos ángulos visuales, ¿de qué dispondríamos? De una serie de planos-secuencia que reproducirían las cosas y las acciones reales de esa hora, vistos contemporáneamente desde distintos ángulos visuales: es decir, vistos a través de una serie de “subjetivas”. La subjetiva es entonces el límite de máximo realismo de toda técnica audiovisual. No es concebible “ver y sentir” la realidad mientras sucede si no es desde un solo ángulo visual: y este ángulo visual es siempre el de un sujeto que ve y que siente. Es un sujeto en carne y hueso, porque aunque nosotros, en una película de acción, elijamos un punto de vista ideal y, por lo tanto, de alguna manera abstracto y no naturalista, se vuelve realista y, en última instancia, naturalista, en el momento en que ponemos una cámara y un micrófono en ese punto de vista: resultará algo visto y oído por un sujeto en carne y hueso (es decir, con ojos y oídos). Ahora bien, la realidad vista y oída en su acaecer es siempre en el tiempo presente. El tiempo del plano-secuencia, entendido como elemento esquemático y primordial del cine —es decir, como subjetiva infinita— es entonces el presente. En consecuencia, el cine “reproduce el presente”. La “toma directa” de la televisión es una paradigmática reproducción del presente de algo que sucede. Supongamos entonces que disponemos no sólo de una sola filmación sobre la muerte de Kennedy, sino de una docena de filmaciones análogas, como planos-secuencia que reproducen subjetivamente el presente de la muerte del presidente. En el momento mismo en que nosotros, aun por razones puramente documentales (supongamos en una sala de proyección del la policía que lleva a cabo la pesquisa), vemos uno tras otro todos estos planos-secuencia subjetivos, es decir, los añadimos unos a otros, aunque no materialmente, ¿qué hacemos? Hacemos una especie de montaje, aunque sea extremadamente elemental. ¿Y qué obtenemos con este montaje? Obtenemos una multiplicación de “presentes”, como si la acción en vez de llevarse a cabo una vez sola ante nuestros ojos, sucediese varias veces. Esta multiplicación de “presentes”, en realidad, comporta la abolición del presente, su anulación, al postular cada uno de esos presentes la relatividad del otro, su falta de credibilidad, su imprecisión, su ambigüedad. Al observar, para una pesquisa policial —la menos interesada en cualquier hecho estético, y muy interesada, en cambio, en el valor documental de las filmaciones proyectadas como testimonios oculares de un hecho real que hay que reconstruir con exactitud—, la pregunta que nos haremos es la siguiente: ¿cuál de todas estas filmaciones representa con mayor aproximación la realidad precisa de los hechos? Hay tantos pobres ojos y oídos (o filmadoras y micrófonos) frente a los cuales pasó un capítulo irreversible de la realidad, presentándose a cada pareja de estos órganos naturales o de estos instrumentos técnicos, de manera distinta (campo, contracampo, total, plano americano, primer plano, y todos lo ángulos posibles): ahora bien, cada una de estas maneras en que se presentó la realidad es extremadamente pobre, aleatoria, casi digna de compasión, si pensamos que es una sola y que las demás son muchas, infinitamente muchas. De todas formas, está claro que la realidad, con todas sus caras, se ha expresado: ha dicho algo a quien estaba presente (estaba presente, como parte de la misma: PORQUE LA REALIDAD NO HABLA MÁS QUE CONSIGO MISMA): ha dicho algo con su lenguaje, que es el lenguaje de la acción (integrado por los lenguajes humanos simbólicos y convencionales): un disparo de rifle, varios disparos, un cuerpo que se derrumba, un coche que se detiene, una mujer que grita, muchas personas que gritan… Todos estos signos no simbólicos dicen que ha sucedido algo: la muerte de un presidente, aquí y ahora, en el presente. Y dicho presente es, repito, el tiempo de las distintas subjetivas como planos-secuencia, filmadas desde distintos ángulos visuales donde el destino puso a los testigos, con sus incompletos órganos naturales o instrumentos técnicos. El lenguaje de la acción es por lo tanto el lenguaje de los signos no simbólicos del tiempo presente y, sin embargo, en el presente, no tiene sentido, o, si lo tiene, lo tiene subjetivamente, es decir, de forma incompleta, incierta y misteriosa. Kennedy, al morir, se expresó con su acción extrema: la de derrumbarse y morir, sobre el asiento de un negro coche presidencial, entre los débiles brazos de una pequeño-burguesa americana. Pero este lenguaje extremo de la acción con la que Kennedy se expresó frente a sus distintos espectadores, queda en el presente —en el que es percibido por los sentidos y es filmado, lo cual es lo mismo—, suspendido e inconexo. Como todo momento del lenguaje de la acción, es una búsqueda. ¿Una búsqueda de qué? De una ubicación respecto a sí mismo y al mundo objetivo; y por lo tanto una búsqueda de relaciones con todos los demás lenguajes de la acción con que los demás, sumados a éste, se expresan. En este caso, los últimos sintagmas vivientes de Kennedy buscaban una relación con los sintagmas vivientes de quienes se expresaban es ese momento, viviendo, a su alrededor. Por ejemplo, los de su asesino, o de sus asesinos, que disparaba o disparaban. Hasta que dichos sintagmas vivientes no hayan sido puestos en relación entre sí, tanto el lenguaje de la última acción de Kennedy como el lenguaje de la acción de los asesinos serán lenguajes truncos e incompletos, de hecho incomprensibles. ¿Entonces qué tiene que suceder para que se vuelvan completos y comprensibles? Que se establezcan las relaciones que cada uno de ellos, casi a tientas y balbuceando, busca. Pero no a través de una simple multiplicación de presentes —como sucedería si yuxtapusiéramos las distintas subjetivas—, sino a través de la coordinación de éstas. Esta coordinación no se limita, en efecto, como la yuxtaposición, a destruir y a anular el concepto de presente (como en la hipotética proyección de las distintas filmaciones, pasadas una tras otra en la salita del FBI), sino que convierte el presente en pasado. Sólo los hechos sucedidos y acabados pueden ser coordinados entre sí, y adquieren así un sentido (como acaso diré mejor más adelante). Ahora hagamos una suposición más: que entre los investigadores que vieron las distintas y, por desgracia, hipotéticas filmaciones pegadas una a otra, haya una mente analizadora genial. Su genialidad no podría consistir sino en la coordinación. Intuyendo la verdad —de un análisis atento de los diversos pedazos… naturalistas, constituidos por las distintas filmaciones—, estarían en condiciones de reconstruirla. ¿Y cómo? Eligiendo los momentos de veras significativos de los distintos planos-secuencia subjetivos, y encontrando, como consecuencia, su real sucesión. Se trataría, en pocas palabras, de un montaje. Después de ese trabajo de elección y de coordinación, los distintos ángulos visuales se disolverían, y la subjetividad, existencial, cedería el paso a la objetividad; ya no estarían las parejas, conmovedoras, de ojos-oídos (o filmadoras-micrófonos) para capturar y reproducir la fugaz y tan poco afable realidad, sino que en su lugar habría un narrador. Este narrador transforma el presente en pasado. De esto deriva que: el cine (o, mejor dicho, la técnica audiovisual) es esencialmente un infinito plano-secuencia, como lo es, ni más ni menos, la realidad a nuestros ojos y oídos, durante todo el tiempo en que estamos en condiciones de ver y de oír (un infinito plano-secuencia subjetivo que termina con el fin de nuestra vida): y este plano-secuencia, además, no es sino la reproducción (como he repetido varias veces) del lenguaje de la realidad: en otras palabras, es la reproducción del presente. Pero desde el momento en que interviene el montaje, es decir, cuando se pasa del cine a la película (que son dos cosas muy distintas, como la “lengua” es distinta del “habla”), sucede que el presente se convierte en pasado (se han producido las coordinaciones a través de los varios lenguajes vivientes): un pasado que, por razones inmanentes al medio cinematográfico, y no por una elección estética, tiene siempre las formas del presente (o sea, es un presente histórico). Entonces aquí tengo que decir qué pienso yo de la muerte (y dejo a los lectores en libertad de preguntarse, escépticos, qué tiene que ver esto con el cine). He dicho varias veces, y siempre mal, lamentablemente, que la realidad tiene su lenguaje —es más, es un lenguaje— que, para ser descrito, necesita de una “semiología general”, de la que aún carecemos, incluso como noción (los semiólogos observan siempre objetos bien diferenciados y definidos, es decir, los varios lenguajes, sígnicos o no, existentes; todavía no descubrieron que la semiología es la ciencia descriptiva de la realidad). Dicho lenguaje —he dicho, y siempre mal— coincide, en lo que concierne al hombre, con la acción humana. Es decir, el hombre se expresa sobre todo con su acción —no entendida en una mera acepción pragmática—, porque es con esa acción que modifica la realidad e incide en el espíritu. Pero esta acción suya carece de unidad, o sea, de sentido, hasta que no está acabada. Mientras Lenin vivía, el lenguaje de su acción era posible y, por lo tanto, modificable por eventuales acciones futuras. En suma, mientras tiene futuro, es decir una incógnita, un hombre no termina de expresarse. Puede haber un hombre honesto que, a los sesenta años comete un delito: dicha acción modifica todas sus acciones pasadas, y él se presenta entonces como alguien distinto de lo que siempre ha sido. Hasta que yo no esté muerto, nadie podrá dar un sentido a mi acción que, en cuanto momento lingüístico, es difícil de descifrar. Por lo tanto es absolutamente necesario morir, porque, mientras estamos vivos, carecemos de sentido, y el lenguaje de nuestra vida (con el que nos expresamos, y al que atribuimos la máxima importancia) es intraducible: un caos de posibilidades, una búsqueda de relaciones y de significados sin solución de continuidad. La muerte efectúa un montaje fulmíneo de nuestra vida: o sea, elige sus momentos de veras significativos (ya no modificables por otros posibles momentos contrarios o incoherentes) y los pone en sucesión, convirtiendo nuestro presente, infinito, inestable e incierto, y por lo tanto lingüísticamente no descriptible, en un pasado claro, estable, cierto y que, así, deja describir lingüísticamente (en el ámbito de la citada semiología general). Sólo gracias a la muerte, nuestra vida nos sirve para expresarnos. El montaje, entonces, hace con el material de la película (constituido por fragmentos, larguísimos o infinitesimales, de tantos planos-secuencia como posibles subjetivas infinitas) lo que la muerte hace con la vida. (1967)

Monday, August 02, 2010

Brasil, Doha, OMC e acordos regionais na visão de Vera Thorstensen

fonte: Valor Econômico > Impresso > Especial pg. A14 Entrevista: Para a professora Vera Thorstensen, país deve firmar tratados com grandes potências para exportar mais "Brasil precisa fazer mais acordos comerciais" Assis Moreira, de Genebra 02/08/2010 Vera Thorstensen: "Um dos temas atualmente mais relevantes da política comercial do Brasil é definir qual sua estratégia em relação a China" A dinâmica atual do comércio internacional não está mais na Organização Mundial do Comércio (OMC) e sim nos acordos regionais. Já há 267 notificados na OMC e 100 estão em negociação, com troca de preferências entre seus membros. O Brasil precisa buscar acordos com as grandes potências e não apenas com países em desenvolvimento. Do contrário, suas exportações serão cada vez mais prejudicadas por regras criadas pelos Estados Unidos, Europa e no futuro pela China em seus entendimentos preferenciais. Isso é o que defende a professora Vera Thorstensen, que acaba de deixar a assessoria econômica da missão brasileira, em Genebra, para criar um Centro do Comércio Global na Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo. O objetivo é explorar a nova dimensão da regulação do comércio internacional, com a multiplicidade de normas que encarecem os custos para o exportador e podem afetar duramente a competitividade brasileira. Embora a Rodada Doha não prospere, na própria OMC as regras continuam evoluindo através de interpretações de seu Órgão de Apelação. Doutora pela FGV, Vera Thorstensen, 60 anos, passou 20 na Europa, dos quase 15 em Genebra, depois de "amor à primeira vista" pelos temas de comércio internacional. Publicou o primeiro livro em português sobre OMC e suas regras, em 1999. Montou e teve papel central na formação de 120 jovens advogados que fizeram estágio na missão brasileira em Genebra desde 2003. Deu cursos pelo Brasil inteiro e na Europa (Paris, Lisboa, Barcelona). Reputada por seu rigor, a professora Vera se tornou uma figura incontornável na delegação brasileira. Por sua sala, ao longo dos anos, passaram autoridades, acadêmicos, técnicos brasileiro, sempre buscando um esclarecimento sobre a OMC e suas regras negociadas na Rodada Uruguai ou em negociação na Rodada Doha. Na OMC, ela foi presidente do Comitê de Regras de Origem de 2004 a 2010. Um acordo para definir como os países identificam a origem de uma mercadoria para efeito de tarifas continua bloqueado porque os países visivelmente preferem ter margem para burlar as normas. A seguir, os principais trechos da entrevista que concedeu ao Valor: Valor: Por que retornar ao Brasil agora? É frustração com a Rodada Doha? Vera Thorstensen: No início deste ano, tomei a decisão de voltar ao Brasil consciente de que eu tinha uma missão a cumprir: criar um centro de estudos sobre a OMC para focar na regulação do comércio internacional. E explico: existe uma percepção no país de que a OMC morreu porque a Rodada Doha continua no impasse. Essa visão está errada. A OMC não só não morreu, como está muito ativa, principalmente na solução de disputas entre os países, onde foi aberto esta semana o 411. E tudo isso tem impactos imediatos no Brasil. Valor: Que impactos seriam esses? Vera: As regras da OMC não se referem apenas a atividades de exportação e importação de bens e serviços. São muito mais amplas, envolvendo medidas relativas ao comércio com propriedade intelectual, concorrência, investimentos, ambiente, clima, saúde, direitos humanos. Esta é a dimensão da regulação do comércio internacional. Atualmente, são duas as fontes dessa regulação. Uma, são as regras já definidas nos acordos na OMC. E mesmo sem a rodada avançar, essas regras na prática estão sendo ampliadas e revistas por decisões do Órgão de Apelação, que é uma espécie de supremo tribunal dos conflitos do comercio internacional. O mecanismo de solução de controvérsias é composto de duas fases: uma através dos painéis e a outra pelo Órgão de Apelação. Ou seja, não basta hoje apenas ler os acordos da OMC. É preciso ir atrás de todos os painéis relacionados aos temas em conflito e ver como o Órgão de Apelação interpretou os termos dos acordos. Valor: Ou seja, um grupo de juízes está fazendo regras, enquanto os governos brigam? Vera: Veja, os panelistas e o Órgão de Apelação têm obrigação de solucionar os conflitos comerciais que são a eles apresentados pelos países. E devem fazer isso com base nos acordos existentes que tem 700 páginas e outras 10 mil páginas de listas de compromisso de liberalização dos países. Como a OMC toma decisão por consenso, a linguagem de suas regras é muito pouco clara, é a famosa ambiguidade construtiva para se fechar negociações. Então, um país interpreta uma regra de um jeito e o outro o contrário. E isso é resolvido pelo Órgão de Solução de Controvérsias. Para manter a previsibilidade do sistema, os membros da OMC esperam que a próxima decisão utilize a interpretação anterior. É o peso da jurisprudência que tem papel fundamental. De fato, discute-se no mundo acadêmico a que ponto o ativismo do Órgão de Apelação está assumindo a posição dos negociadores dos países. E com o impasse da Rodada Doha, são esses juízes que estão atualizando na prática as regras da OMC. Valor: Por exemplo? Vera: O artigo 20 do Gatt, de 1947, sobre as exceções gerais, isto é, quando um país pode deixar de cumprir as regras da OMC, está sendo usado para dirimir conflitos que envolvem comércio e ambiente. Foi o caso dos pneus entre o Brasil e a União Europeia, do atum entre México e EUA, dos camarões entre EUA e vários países da Ásia, dos arbestos entre Canadá e UE. O Órgão de Apelação pegou uma página de um acordo negociado há 63 anos e através desses conflitos foi criando passo a passo uma regulação para disputas envolvendo ambiente, algo que os países até hoje nunca chegaram a um acordo. Valor: Qual a segunda fonte hoje de regulação do comércio? Vera: São os acordos regionais de comércio, negociados entre dois ou grupos não necessariamente próximos, como entre Chile e China. A regra que continua a vigorar em termos de acordos regionais é apenas o artigo 24 do velho Gatt, que tem 63 anos. E hoje está acontecendo uma explosão de acordos regionais incentivada até pelo impasse da Rodada Doha. Estão notificados na OMC 267 acordos regionais e a entidade já tem informação de que outros cem acordos estão em negociação. Valor: Qual o problema de ter tantos acordos regionais? Vera: O problema é que esses acordos estão usando as regras que englobam não só temas regulados da OMC, como estão expandindo e incluindo nova regulação como propriedade intelectual (Trips) e investimentos (Trims) no comércio. Além disso, os acordos regionais estão criando regras sobre temas que a OMC nunca conseguiu regular, como padrões trabalhistas, ambiente, investimento e concorrência. Há acordo de comércio regional que exige que os países tenham assinado as sete convenções fundamentais da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Na OMC, os países em desenvolvimento afirmam que esse tema não é comércio e deve ficar na OIT. Só que, por conta da concorrência de países que não tem padrões trabalhistas, esse tema voltou a ter grande interesse. O fato de o país não ter esses padrões causaria uma redução significativa dos custos de exportação, como no caso da China, afetando a competitividade dos países que seguem as convenções da OIT. Valor: E qual o problema de os acordos regionais criarem regras novas? Vera: O problema é que a multiplicidade dessas regras pode minar a OMC e a longo prazo até destruí-la. Por quê? A existência de muitas regras sem controle e sem um órgão de supervisão está levando a criação de grandes blocos de regulação. Tem o modelo dos EUA, da UE e no futuro talvez da China. E já está ocasionando conflitos de regras, aumentando o custo de exportação e reduzindo a competitividade dos países que estão fora desses blocos. Valor: Qual o impacto para o Brasil? Vera: O Brasil não tem tradição de negociar acordos regionais fora da América do Sul e terá cada vez mais dificuldades para exportar para os grandes blocos que usam as regras que eles próprios criam, como regras sanitárias e fitossanitárias, barreiras técnicas, padrões privados de alimentos e regras de origem preferenciais. São as novas barreiras ao comércio. Dentro desses blocos, a OMC não tem controle. Valor: Como exportador agrícola, o Brasil ficará mais vulnerável? Vera: Sem dúvida. Se os EUA e a UE criam regras sobre alimentos, atingindo todos seus acordos preferenciais dentro de seus blocos, isso configura uma segmentação das novas regras de proteção no comércio internacional. Se o Brasil não participa, as exportações brasileiras são prejudicadas. O Brasil tem que enfrentar um grande dilema: fazer acordos regionais ou ficar autônomo. O problema é que, como grande produtor agrícola, é muito difícil fazer acordo preferencial com outros países, porque o setor agrícola é sensível para a grande maioria dos países. Valor: O país deveria buscar acordos com os grandes parceiros? Vera: A dinâmica atual do comércio internacional não está mais na OMC e sim nos acordos regionais. Ficar fora dos grandes blocos poderá afetar sem dúvida as atividades internacionais das empresas brasileiras. Valor: Mas o Brasil negocia com a UE, Índia, África do Sul e outros. Vera: Se a dinâmica é fazer acordos regionais, o Brasil deveria estar negociando não só no eixo Sul-Sul, mas no eixo Norte-Sul. Valor: Qual a consequência do conflito entre OMC e acordos regionais? Vera: Se as regras da OMC não forem atualizadas, crescerá o problema na hierarquia de regras, com impacto no mundo de negócios. Para se ter uma ideia, o comércio internacional envolve US$ 12 trilhões por ano. Com a multiplicação desses conflitos, os países serão obrigados a sentar de novo na mesa não só para concluir a Rodada Doha, como partir para a negociação de regras mais ambiciosas para novos temas do comércio global. Valor: Quando Doha será concluída? Vera: Os prazos para as conclusões das rodadas são cada vez mais longos, porque elas são mais complexas. Não me causa nenhuma estranheza que Doha não tenha sido concluída. Mas o custo político de não concluí-la é muito alto, daí porque acredito que ela será bem sucedida. A rodada será concluída quando as lideranças tiverem consciência do perigo que a multiplicação dos acordos regionais representa para o sistema multilateral que levou 60 anos para ser construído. Quando a incompatibilidade das regras regionais começarem a afetar os grandes países, eles voltarão a se sentar na mesa de negociação na OMC. Valor: A China é um risco ou oportunidade para o Brasil? Vera: A China pode representar oportunidade pelo tamanho de seu mercado e um risco pela sua competitividade com produtos brasileiros tanto no mercado interno com em terceiros mercados. Um dos temas mais relevantes hoje de política comercial do Brasil é definir qual sua estratégia em relação a China. Os brasileiros devem produzir na China ou o Brasil deve atrair a China a produzir no Brasil? Até agora, o Brasil não tem estratégia clara, apesar do aumento das relações bilaterais. A existência das regras da OMC é fundamental nesse relacionamento. O Brasil deve usar todos os instrumentos que a entidade permite para defender sua indústria e utilizar as mesmas regras para abrir o mercado chinês. Valor: Qual será o foco do Centro do Comércio Global que a sra. está criando? Vera: O objetivo é analisar o quadro regulatório do comércio internacional explorando sua nova dimensão, pois as regras não envolvem só exportação e importação, mas toda uma gama de temas que vão de concorrência a saúde, investimentos, ambiente, clima, direitos humanos . E isso é essencial para a economia brasileira. Precisamos conhecer bem os detalhes das regras e saber usá-las para defender os interesses do Brasil. A ideia é juntar advogados, economistas e administradores de empresas para estudar e avaliar os impactos dessas regras, tanto da OMC como de acordos regionais, para a economia brasileira, a competitividade e sobrevivência das empresas. O centro pretende acompanhar a regulação especifica dos principais parceiros do Brasil, como União Europeia, Estados Unidos, China, Índia, África do Sul. Valor: No que o centro inovará? Vera: Minha intenção é criar uma nova geração de especialistas em comércio internacional. Ao invés de só pensar em participar de painéis (disputas) na OMC, que saibam identificar os problemas concretos das empresas, as regras que foram desrespeitadas e levar os casos para os comitês específicos da OMC. É uma área ainda não explorada no Brasil. Poucos percebem que as regras da OMC estão internalizadas nas regras brasileiras e que isso pode ser utilizado nas atividades normais das empresas e entre empresas e governos. Esse trabalho, de dirimir conflitos, é não só de advogados, mas de economistas, porque cada vez mais os conceitos econômicos estão entrando na OMC. Valor: As escolas de economia e direito estão atualizadas no Brasil? Vera: Não. É triste constatar que mesmo as melhores escolas de economia e direito dão pouca atenção ao quadro regulatório do comércio internacional. Existe mesmo o absurdo de alguns professores considerarem que as regras da OMC não fazem parte do direito internacional. Na verdade, o que acontece na OMC faz parte de uma nova área do direito e da economia, que é chamada de "international trade law and economics", que já tem até uma associação criada em Genebra. Em seu congresso, em Barcelona, foi triste constar que, entre 350 participantes, só cinco eram brasileiros. São raras as escolas que oferecem cursos sobre OMC e disputas de conflitos. Como se pode criar economistas e advogados sem saber o quadro regulatório do comércio internacional, como esses futuros profissionais vão defender os interesses das empresas?